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Coronavírus
02/08/2020

'Meu primeiro dever ético é acreditar na medicina como ciência', diz primeiro voluntário a receber vacina contra covid-19

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Foto: Reprodução

Médico André Ribeiro, de 30 anos, recebeu nesta sexta (31) o imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac; ao todo, 852 pessoas participarão dos testes no estado

Primeiro voluntário a receber a vacina experimental contra Covid-19 em Belo Horizonte, o médico André Ribeiro, de 30 anos, descreveu a experiência como um "dever ético pessoal de acreditar na Medicina como ciência". Os testes do imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, começaram na sexta (31) na capital mineira.

 

Ribeiro chegou ao Centro de Saúde Jardim Montanhês, onde trabalha, por volta das 8h30. No local, a equipe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, que coordena os testes em Minas Gerais, já estava a postos para aplicar a vacina. Ao todo, 852 voluntários foram recrutados para essa fase clínica no estado.

 

"Foi uma oportunidade que apareceu e encarei como um dever ético meu, bem pessoal, de acreditar na Medicina como ciência e arte. É muito gratificante que eu, como profissional da saúde, possa demonstrar esse poder da minha profissão a favor da humanidade, das pessoas", disse Ribeiro em entrevista a ÉPOCA.

 

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Segundo o médico, ele foi escalado pelos responsáveis da pesquisa, sob gerência do professor Mauro Teixeira, para ser o primeiro da fila. Ribeiro já havia passado por uma bateria de exames, a fim de comprovar que não contraiu coronavírus e nem possuía doença crônica - alguns dos condicionantes para participar do experimento. Agora, ele vai ser acompanhado por um período estimado de um ano, mas o protocolo o impede de dar mais detalhes.

 

André Ribeiro teve formatura antecipada para ajudar no combate à pandemia no Brasil Foto: Arquivo pessoal

André Ribeiro teve formatura antecipada para ajudar no combate

à pandemia no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

 

Recém egresso da faculdade, o jovem médico teve a formatura antecipada para reforçar o combate à pandemia da Covid-19. Desde então ele atua no Centro de Saúde Jardim Montanhês, auxiliando na triagem dos pacientes e encaminhando-os para atendimentos específicos e internação. Em suas palavras, ele é a "porta de entrada". Apesar da pouca experiência, encara a oportunidade como um desafio, motivo pelo qual não hesitou em contribuir com os testes.

 

"Como médico e qualquer profissional da saúde, a gente é movido pelo sentimento altruísta, de gerar o bem-estar para qualquer ser humano. Por isso que criei coragem para me submeter à pesquisa e espero que o projeto seja bem-sucedido para que a gente possa acabar com isso logo", afirmou Ribeiro. "Espero que já já possamos voltar a comer nosso pão de queijo, tomar nosso café e frequentar os bares de Belo Horizonte", emendou com bom humor.

 

O aval para a última fase dos testes foi dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 3 de julho. Pouco mais de uma semana depois, iniciaram-se os trâmites de recrutamento de voluntários em locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Paraná. O estudo conta com 9 mil participantes cadastrados em 12 centros de pesquisa pelo país.

 

A participação nos estudos é restrita a médicos, enfermeiros e paramédicos que trabalham diretamente no cuidado de pacientes infectados pelo vírus. Os voluntários também precisam atender a requisitos como ter mais que 18 anos e não fazer uso de medicamentos, além de não estar infectado.

 

O médico André Ribeiro trabalha no Centro de Saúde Jardim Montanhês, em Belo Horizonte Foto: Arquivo pessoal

O médico André Ribeiro trabalha no Centro de Saúde Jardim

Montanhês, em Belo Horizonte (Foto: Arquivo pessoal)

 

Encantado com o que viu, Ribeiro afirmou que o estudo é "muito seguro e bem desenvolvido, com o máximo de rigor científico". Embora esteja otimista, ele pede para que a população continue respeitando as medidas preconizadas pelas autoridades de saúde e tomando as devidas precauções.

 

"Mesmo tendo esse projeto, peço que a população continue usando máscara, tomando as medidas de higienização e seguindo o isolamento social, e não deixar que essa esperança possa criar um ambiente de descuido", advertiu.

 

O laboratório chinês disponibilizou 20 mil doses para todo o Brasil, sendo 850 para a UFMG. O Sinovac e o Instituto Butantan já firmaram um acordo para produção de 100 milhões de unidades - 40% dessa remessa será enviado à China.

 

Em entrevista a ÉPOCA, o diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que espera concluir a aplicação das vacinas nos voluntários até setembro e demonstrou otimismo em relação ao prazo de conclusão da fase de testes. Segundo ele, cerca de 1 milhão de pessoas se inscreveram como voluntárias ao experimento nos cinco primeiro dias do processo de seleção. Os ensaios clínicos custaram em torno de R$ 85 milhões, arcados integralmente pelo governo de São Paulo.

 

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A expectativa do governador paulista João Dória é que a vacina chinesa esteja disponível gratuitamente a toda população brasileira a partir de janeiro do ano que vem, conforme disse à Rádio Itatiaia na última segunda (27). 

 

Revista Época

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