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Política

14/05/2019

‘Reserva de poltrona’ e ‘localizador’ eram códigos para discutir propina, diz dono da Gol em delação

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Foto: Reprodução

‘Reserva de poltrona’ e ‘localizador’ eram códigos para discutir propina, diz dono da Gol em delação

Em sua delação premiada já homologada pela Justiça Federal , um dos donos da Gol , o empresário Henrique Constantino, revelou que usava expressões relacionadas a passagens aéreas para conversar sobre pagamentos de propina com o operador financeiro Lúcio Funaro. Constantino entregou cópias de mensagens trocadas via celular com Funaro, em material de sua delação obtido pelo jornal O Globo


As expressões eram usadas para definir quais seriam as empresas de fachada de Funaro que receberiam os pagamentos de propina de Constantino, destinados ao grupo político do MDB.

 

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“Outras vezes, eu mesmo fui questionado por Lúcio Funaro sobre os pagamentos, como pode ser comprovado pela troca de mensagens abaixo, na qual utilizamos termos como ‘passageiros’, ‘reservas’, ‘localizador’, ‘bilhetes’, ‘taxa de câmbio’ etc., como metáforas aos nomes das empresas que eram utilizadas à emissão de NF's (notas fiscais) e aos pagamentos efetivos”, descreve Constantino em um dos anexos de sua delação.

 

Em mensagem de 1º de agosto de 2013, o empresário pede para Funaro

 

Operador financeiro Lúcio Funaro(Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo)


"Você pode me mandar os dados da pessoa para a reserva da poltrona? Favor mandar para mim na Funchal. Abs."


No dia seguinte, Funaro lhe envia os dados e manda uma mensagem para confirmar:

 

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"Recebeu a lista com o nome dos passageiros que te mandei?"


Confira outros escândalos em que a Gol foi envolvida


Em julho de 2016, a casa do empresário Henrique Constantino, da família controladora da companhia aérea Gol, também foi alvo de busca e apreensão na Operação Sépsis da Polícia Federal. A operação teve como principal alvo o doleiro Lucio Bolonha Funaro, ligado ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 


Propina para Temer

 


O operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro acusou o presidente Michel Temer de receber propina de R$ 20 milhões de Henrique Constantino em troca de apoio ao projeto de abertura do setor aéreo ao capital estrangeiro. A suposta propina teria sido paga em horas de voo na campanha eleitoral de 2014.


R$ 2,8 milhões a firmas ligadas a Cunha

 


Fotos: Ailton de Freitas / Agência O Globo


A força-tarefa da Lava-Jato identificou pagamentos de empresas ligadas a Henrique Constantino, um dos donos da empresa, ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com as investigações, os pagamentos somam pelo menos R$ 2,8 milhões e foram realizados entre 2012 e 2015 por meio das empresas Jesus.com.


Condenação por homicídio

 


Foto: Dado Galdieri/Bloomberg


O fundador da companhia Nenê Constantino foi condenado a 13 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Taguatinga (DF), acusado de ser o mandante do assassinato de um motorista de ônibus em 2001. À época do crime, Tarcísio Gomes Ferreira foi morto após participar de uma ocupação em um terreno do empresário. 



Constantino dá uma resposta positiva:


"Recebi. Assim que concluir as reservas, te passo o localizador e a taxa de câmbio. Abs."


O empresário também anexou à sua delação trocas de e-mails entre sua secretária e uma funcionária de Funaro, nas quais acertavam valores e pessoas jurídicas para transações bancárias. “Era comum Lúcio Funaro questionar sobre o andamento dos pagamentos indevidos. Algumas vezes por meio de nossas secretárias, por e-mail”, contou o empresário. Funaro também fez acordo de delação premiada com o MPF, há dois anos, e foi o primeiro a relatar os repasses de propina de Constantino.


A delação de Constantino foi assinada no dia 25 de fevereiro com a Força-Tarefa Greenfield e revelada ontem pelo O Globo. O empresário relatou acertos de propina com políticos do MDB, fez acusações ao ex-presidente Michel Temer (MDB) e se comprometeu a pagar indenização de R$ 70 milhões aos cofres públicos.

 

O Globo

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