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Carnaval 2020
15/02/2020

Carnaval 2020 -‘É o momento de falarmos da valorização do feminino’, diz Preta Gil sobre o tema de seu bloco. VEJA FOTOS

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Foto: Reprodução

Preta Gil

Com o mote Mulheres que Inspiram, bloco da cantora prestará homenagem a Chiquinha Gonzaga com uma nova versão para ‘Ó Abre Alas’, a primeira marchinha carnavalesca, composta em 1899.

 

Em pouco mais de uma década, Preta Gil conseguiu realizar uma façanha e tanto: tornou-se um ícone poderoso e inquestionável do carnaval. E olha que essa história começou no exigente Rio de Janeiro, cidade onde o samba nasceu e que tem a honra de oferecer ao mundo, como já disseram Didi e Mestrinho, “o maior show da Terra”.

 

A contribuição da cantora para a festa atende pela alcunha de Bloco da Preta e, em 2019, reuniu cerca de 700 mil foliões só em terras cariocas. Se no ano passado o tema foi o décimo aniversário da agremiação, a homenagem agora será feita às Mulheres que Inspiram.

 

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“É um momento importante para falarmos da valorização do feminino. Vamos chamar atenção para as que abriram caminhos e fizeram história, mas também a mulher como um todo. Os temas são assuntos que me falam ao coração e ajudam a integrar mais gente”, conta Preta.

 

Em homenagem a Chiquinha Gonzaga (1847-1935), uma dessas musas inspiradoras, ela preparou uma nova versão de “Ó Abre Alas”, a primeira marchinha carnavalesca, composta em 1899. E também vai usar modelitos diferentes para homenagear as mulheres. Por incrível que possa parecer, apesar de todo o empoderamento dos últimos tempos, Preta conta que sofreu com o preconceito por ser mulher e liderar um bloco de carnaval.

 

“Esse preconceito é implícito e embutido em vários outros. Não existia, até então, um bloco com nome e cara de mulher, essa novidade foi sendo compreendida aos poucos. De lá para cá apareceram blocos de outras cantoras e eles também estão ganhando força”, acredita a artista, que considera o fato de ter sido rainha da bateria da Mangueira em meados dos anos 2000 um divisor de águas em sua vida: “O maior legado foi ter convivido por um ano com uma bateria extraordinária. Depois, criei o bloco que realizaria meu sonho de misturar a bateria do samba do Rio com a magia do trio elétrico baiano”.

 

 

Não dá para dizer que o começo foi exatamente modesto: “Na primeira vez tivemos somente o ‘esquenta’, ensaiamos, mas não saímos. No ano seguinte desfilamos em Ipanema. Esperávamos um público normal, mas apareceram 120 mil pessoas”. A tendência ao gigantismo, percebida no susto e confirmada ao longo dos anos, levou Preta a tomar providências que evitaram distúrbios como os verificados durante a passagem em Copacabana, na abertura oficial do carnaval de rua da cidade, em janeiro.

 

“Trabalhamos com muita antecedência junto aos órgãos públicos, pedindo apoio, oferecendo sugestões. Já ultrapassamos uma década sem maiores problemas. No segundo ano, eu mesma pedi para irmos para o Centro, onde não há tantos moradores e movimento, como na Zona Sul”, ressalta.

 

“E o nosso público tende a ser o mais ‘paz e amor’ possível, é importante focarmos nessa energia. O carnaval é para ser um momento de alegria e descontração e cada um deve fazer sua parte para que todos saiam felizes. Eu rezo e dou o melhor de mim para que a festa seja perfeita”.

 

Para funcionar com perfeição, Preta toma cuidados especiais com a saúde: “Tenho uma equipe de especialistas em fonoaudiologia, fisioterapia e nutrição ao meu lado full time.

 

Procuro dormir no mínimo seis horas, me alimentar bem e fazer exercícios. E tento manter o bom humor mesmo tendo que cuidar de cada detalhe dessa megaoperação que é colocar o bloco na rua em três capitais (Rio, Salvador e São Paulo), junto com meu time”.

 

O time de que fala a artista inclui, claro, a família. “Meu pai (o cantor e compositor Gilberto Gil) me deu a honra de cantar comigo há dois anos. Meu filho, Francisco (do primeiro casamento, com o ator Otávio Müller) fez sua estreia como cantor no trio no ano passado.

 

Além disso, meus irmãos, sobrinhos e agregados são presenças constantes. Meu bloco é ‘Gil’ também. Rodrigo (Godoy, professor de educação física, o atual marido) está comigo 24 horas por dia. Minha equipe é igualmente uma família para mim, estamos juntos há anos”.

 

O trabalho afinado com a equipe e a família permite que, em meio a toda a trabalheira, Preta possa relaxar no quesito finanças. Ela garante que não lida com o assunto. “Essa é uma conta que eu não faço. Certamente tentamos equilibrar gastos com os patrocínios de marcas para as quais fazemos projetos ao longo do ano, pois quando assumimos um compromisso vamos até o final. O carnaval não é um projeto comercial, mas a expressão da minha alma, a maneira como eu traduzo o que penso. Independentemente do resultado financeiro, eu me sinto no lucro”, afirma.

 

Mas faz questão de frisar a importância do carnaval de rua para a economia: “Tomou uma grande proporção. Hoje vai além dos dias do calendário oficial, gera empregos, traz divisas e lota as ruas e os hotéis. A coisa cresceu e se profissionalizou, não só no Rio como em São Paulo e em outras cidades. O carnaval é um dos maiores símbolos deste país. Devemos preservá-lo e torná-lo cada vez mais democrático, inclusivo e acessível”.

 

 

E já que (também) estamos falando de mulheres e empoderamento feminino, é inevitável tocar em um assunto delicado, que já incomodou a artista no passado: a questão do sobrepeso. Ninguém seria ingênuo de supor que as mulheres não são mais cobradas que os homens pelo corpo “perfeito”.

 

Quando lançou seu primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, em 2003, Preta apareceu nua na capa – e foi extremamente cobrada por isso. Na época, disse que “se fosse magra o barulho não seria tão grande”. Acredita que essa situação evoluiu de lá para cá? “Creio que sim. As diferenças dos padrões estão mais expostas e, aos poucos, vêm sendo encaradas como algo natural.

 

Não foi fácil ser vista como diferente, mas a (cantora e compositora americana) Lizzo abrindo o Grammy e o filme coreano levando os maiores prêmios do Oscar mostram que todos, absolutamente todos, devem ser respeitados como são. Atualmente eu sou grata por ter passado pelo que passei. Aprendi e posso provar que nosso maior trunfo é amar quem somos e o que fazemos”, diz, com orgulho.

 

Também é inevitável falar de peso sem lembrar que Preta é meia-irmã da chef Bela Gil, talvez a maior defensora da alimentação saudável do Brasil nos dias que correm. Como não aproveitar esse verdadeiro tesouro familiar? Será que dá para curtir refeições veganas juntas e aliar o prazer da boa mesa com os cuidados com a saúde?

 

“Nossas agendas são muito atribuladas para termos esse privilégio. Gosto de muitas coisas que ela cozinha, foi Bela quem me ensinou o poder dos alimentos, das superfoods, das receitas funcionais. Sempre esteve à frente do seu tempo, já fazia a marmita das crianças para a escola quando ninguém sequer falava disso, por exemplo”.

 

 

Quase certo é que na turnê que o clã dos Gil fará pela Europa em julho, Bela deve dar uns pitacos nas horas das refeições. Segundo Gil, o patriarca, a turnê deve reunir mais de 30 pessoas – e alguém vai ter de cuidar da alimentação da família. Preta ainda prefere não se estender sobre esse assunto, mas não esconde o entusiasmo com a ideia dessa road trip musical familiar:

 

“Essas são cenas dos próximos capítulos, ainda estou pensando na logística do bloco. Mas sei que teremos três ônibus num tour de 45 dias que será, talvez, a maior e mais incrível viagem que já fizemos juntos”.

 

Por enquanto, Preta, aproveita os raríssimos momentos de folga para curtir a neta, Sol de Maria, que quatro anos. “O tempo que sobra é para me dedicar à Sol. E agora temos uma cadelinha chamada Lua. Estou apaixonada, é uma mistura de Lulu da Pomerânia com Husky, chama-se Lua Pomsky. Só quero ficar em casa observando esse encontro de Sol e Lua (risos)”.

 

Pois se depender da artista, ela vai se ocupar da família por muitos e muitos anos. “Faço exames, cuido de mim e agradeço a Deus por estar viva e aprendendo. Quero passar dos cem sendo quem sou e feliz. Quero ter saúde para viver bastante e ver meus bisnetos crescerem, assim como vejo o meu pai tendo esse privilégio”.

 

Fotos: Reprodução

 

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O Bloco da Preta abre a temporada dos megablocos no carnaval carioca no dia 16, na Avenida Presidente Antônio Carlos, a partir das nove da manhã. Em seguida, passa por Salvador (dia 21), onde se apresenta no circuito Barra-Ondina, e encerra a folia em 1º de março, no circuito do Ibirapuera, em São Paulo.

 

IG

 

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