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10/04/2020

Mulher de senador Arolde de Oliveira diz em depoimento que Flordelis é 'dissimulada e perigosa'

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Foto: Divulgação

Yvelise entre o pastor Anderson e Flordelis

A mulher do senador Arolde de Oliveira (PSD), Yvelise de Oliveira, afirmou em seu depoimento à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) que considera a deputada Flordelis dos Santos (PSD) “dissimulada e perigosa”.

 

Ela foi ouvida pela polícia no dia 11 de fevereiro, no inquérito sobre a morte do pastor Anderson do Carmo, marido de Flordelis. Yvelise também disse acreditar que a deputada, que é investigada pelo assassinato, seria capaz de tramar “algo desse tipo”, sem citar especificamente se estava se referindo ao crime. O EXTRA teve acesso ao depoimento.

 

A mulher de Arolde afirmou ainda que Flordelis é enigmática e nebulosa e que percebia, em alguns momentos, que a deputada tinha uma personalidade diferente da que apresentava publicamente.

 

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Yvelise e Arolde são donos da gravadora gospel MK Music, com a qual Flordelis possui contrato. Além disso, o senador e a deputada federal pertencem ao mesmo partido e foram grandes aliados políticos nas últimas eleições.

 

Eles continuam a participar, juntos, de eventos do PSD. No mês passado, o motorista de Flordelis, Márcio Costa Paulo, o Buba, se lançou pré-candidato a vereador por São Gonçalo e posou para fotos ao lado da deputada e de Arolde.


Yvelise foi chamada a prestar depoimento depois que a DHNSG recebeu dados das empresas de telefonia sobre o uso do celular de Anderson do Carmo, que nunca foi encontrado pela polícia.

 

O paradeiro do aparelho é um dos mistérios da investigação do assassinato do pastor. Segundo dados de um relatório de investigação ao qual o EXTRA também teve acesso, uma linha telefônica no nome da mulher de Arolde foi habilitada no celular do pastor Anderson às 10h56 do dia 16 de junho, pouco mais de sete horas após o crime. Os dados apontam ainda que o aparelho utilizou rede de Wi-Fi da casa de Arolde e Yvelise no mesmo horário.

 

Em seu depoimento à polícia, Yvelise afirmou que possui apenas a sua linha telefônica pessoal, a mesma que teria sido habilitada no celular de Anderson, segundo informações da polícia.

 

Ela negou que outro chip tenha sido colocado em seu aparelho e afirmou que nenhum dos familiares ou pessoa “a mando de Flordelis” esteve em sua casa no dia do crime ou no seguinte. Yvelise narrou à polícia que recebeu a notícia da morte do pastor Anderson na manhã do dia 16, por intermédio do marido. Segundo ela, Arolde foi ao encontro de Flordelis logo que soube do fato.

 

O senador foi filmado e fotografado pela imprensa chegando à casa da deputada no início da tarde do dia 16.

 

A mulher de Arolde relatou que tinha o número de telefone de Anderson salvo em sua agenda como se fosse de Flordelis. Ela afirma que ligou para o telefone do pastor por WhastApp, com o seu celular conectado ao Wi-Fi de sua casa, para prestar condolências, mas a deputada não atendeu. Às 10h56, segundo Yvelise, Flordelis lhe retornou e elas conversaram.

 

Em janeiro deste ano, o senador Arolde de Oliveira enviou uma nota à imprensa na qual alegou que houve erro na leitura dos dados relativos ao telefone celular de Anderson por causa da ligação feita por Flordelis para sua esposa.

 

“´É importante saber que quando se faz uma conexão pelo WhatsApp os dados do telefone chamado e o caminho percorrido(número, protocolo da internet, Wi-Fi...) ficam registrados no chip do telefone que está enviando a mensagem.

 

Naturalmente, o rastreamento feito pela empresa operadora de telefonia acusou os dados de registro da chamada gravados no chip do telefone da Yvelise. Uma interpretação equivocada deve ter levado a autoridade ao entendimento de que o chip do telefone do pastor morto estava no telefone da minha esposa Yvelise e, portanto, na nossa casa”, escreveu Arolde.

 

O relatório de investigação ao qual o EXTRA teve acesso aponta ainda que às 12h36 do dia 16 de junho também foi habilitada no telefone de Anderson uma linha no nome de um pastor evangélico de Brasília.

 

Também houve informação de que o aparelho foi conectado à rede de Wi-Fi de um delegado federal em Brasília. No entanto, no próprio inquérito que investiga a morte do pastor Anderson, há depoimentos apontando que o telefone da vítima ainda estava em poder da família de Flordelis e de seu marido no dia do crime.

 

Após o depoimento de Yvelise, a DH solicitou novas informações sobre os dados referentes ao uso do telefone celular de Anderson à empresa de telefonia e continua investigando o paradeiro do telefone de Anderson.

 

Em seu depoimento à DH, Yvelise narrrou que o pastor Anderson do Carmo há cerca de 10 anos por causa da contratação de Flordelis como cantora gospel da MK Music. Ela afirmou que possuía apenas relação profissional com Anderson e não frequentava a casa do pastor e de Flordelis, assim como eles não iam à sua residência.

 

A mulher de Arolde relatou ainda que seu marido lhe contou que Flordelis disse que Anderson tinha sido vítima de um assalto seguido de morte. No entanto, com a mudança de versão da deputada, Yvelise e o marido decidiram se afastar dela, deixando de lhe prestar apoio psicológico. Além disso, Yvelise decidiu deixar de tocar as músicas de Flordelis em sua rádio, a 93 FM, por entender que haveria queda de audiência em razão da “mácula à imagem da cantora”.

 

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Yvelise também disse que podia afirmar com certeza que Flordelis já sabia que um dos filhos tinham matado o pastor quando afirmou que tinha se tratado de um assalto, ou seja, que a deputada mentiu desde o primeiro momento. Ela acredita que a deputada mentiu, pois se tivesse falado a verdade, seu marido nunca teria ido ao seu encontro.

 

Extra

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