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13/03/2019

'Eles não queriam algo de valor, ou vingança. Eles queriam matar todo mundo', diz aluna sobrevivente de ataque em Suzano

Foto: Fotoarena / Agência O Globo

Um ataque a tiros ocorreu na escola Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo

Enquanto dois atiradores encapuzados disparavam a esmo durante o intervalo do Ensino Médio na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), por volta das 9h40 desta quarta-feira, uma aluna de 17 anos deixava o pátio correndo na direção de um banheiro para se esconder.

 

Em desespero, ligou para seus pais para se despedir, pois pensava que não conseguiria sobreviver. Segundo a adolescente, que preferiu não se identificar, outros estudantes fizeram o mesmo.

 

Os responsáveis pelo ataque mataram pelo menos oito pessoas, sendo o dono de uma locadora de carros próxima, cinco estudantes e duas funcionárias do colégio. Em seguida, se suicidaram.


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— No início, como ninguém chegava, todo mundo começou a ligar pros pais e se despedir. Quando eu liguei pra polícia, eu estava desesperada. O policial ficou sem reação, então eu liguei pros meus pais e pedi pra eles chamarem a polícia. Eu disse que os amava. Era uma mistura de ter forças pra pedir ajuda e estar destruída demais pra acreditar que sairia dali — contou a jovem, de 17 anos, por mensagem no WhatsApp, por estar ainda muito abalada e não conseguir falar. — Eu ainda não estou estabilizada — explicou.


'Só deu tempo de ver o primeiro menino caindo no chão'


Até o momento do ataque, o dia na escola seguia normal. A estudante do 3º ano do Ensino Médio teve duas aulas de sociologia e uma de filosofia e, durante o intervalo, viu alguns alunos na fila da merenda, outros sentados conversando, rindo.


— Em um momento, a gente estava feliz e, no outro, estava implorando pra viver.


A mudança de um clima tranquilo no colégio para um momento de pânico foi brusca. A aluna disse ter pensado que o primeiro disparo fosse "algo caindo". Após outros dois, relatou ter começado a correria. Ela contou ter se apressado com os amigos até um banheiro masculino, que ficou lotado de jovens muito assustados. Pouco antes de se abrigar lá, chegou a ver um aluno sendo atingido. Ela ressaltou ter imaginado que não fosse conseguir escapar.


— Estávamos todos no pátio, e nossas salas trancadas. Quando ouvimos o primeiro disparo, nós pensamos que era algo caindo. Todo mundo olhou pro portão de entrada, mas ignoramos. Depois vieram dois em seguida. Todo mundo começou a correr e a entrar nos banheiros, na cantina. Eu e meus amigos entramos no banheiro masculino, que fica mais escondido. Só deu tempo de ver o primeiro menino caindo no chão. Eles não paravam de atirar. O banheiro que eu estava ficou lotado. Todo mundo chorando, e tentando falar com a policiais. Ficamos com medo de eles não acreditarem e acharem que era trote. A gente começou a pedir pra amigos através do WhatsApp ligarem também — disse.


'Os tiros não paravam'


A sobrevivente disse que uma das vítimas era da sua sala, descrito como um rapaz de 17 anos "muito tímido, quieto, simples e gentil". Ele foi identificado como Cleiton Antônio Ribeiro.


— O Cleiton era um amor de pessoa, acho que a pessoa mais pura e inocente que eu conheci. Meus amigos disseram que ele ficou parado e levantou as mãos, então tomou dois tiros. Ele era bem reservado, muito tímido. Ele era quieto, sempre na dele. Um menino simples e gentil. Eu nunca conheci alguém tão bom como ele — afirmou.


Ela suspeita que os atiradores já soubessem os horários de funcionamento da escola e que entraram no local para matar pessoas aleatoriamente.
— O intervalo é às 9h30, acho que umas 9h40 que eles entraram. Eles sabiam que era intervalo, pra já entrar atirando. Os tiros não paravam. Eles atiravam em qualquer pessoa que aparecesse na frente deles. Estão dizendo que eles foram com uma lista pra matar, mas é mentira. Eles não queriam algo de valor, ou vingança. Eles queriam matar todo mundo.

 

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'Eu abracei meu pai na hora e ele não me soltou mais'


Após a chegada da polícia, o sentimento ainda era de medo. A jovem disse ter saído do banheiro correndo na direção da porta da escola, sem pegar sua mochila, que estava na sala de aula.


— Eu só queria ir pra longe dali — afirmou. — Meu pai foi pra escola me buscar imediatamente. Eu abracei meu pai na hora e ele não me soltou mais. Fomos assim até o carro. E ele me tirou de lá o mais rápido possível, me trouxe pra casa. Aqui minha mãe me ajudou a me acalmar, porém a cena de ter visto tanta gente morta no chão foi horrível.

 

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