Padilha assume como ministro da Saúde nesta segunda-feira (10/3) e, paralelamente, vai atuar como presidente de honra de associação
A China Hub Brasil – associação sem fins econômicos que deu cargo de presidente de honra para o mais novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha – conta com apoio e patrocínio de peso de gigantes chinesas e brasileiras que possuem interesses comerciais no governo Lula, sobretudo na pasta agora comandada por Padilha.
A entidade será lançada oficialmente na próxima sexta-feira (14/3), na cidade de São Paulo, e conta com os seguintes patrocínios de empresas na área de saúde, conforme revelado pela coluna.
Mindray. A empresa chinesa é uma das principais fornecedoras globais de instrumentos médicos, mantém parceria com dezenas de hospitais brasileiros e capitaneia eventos de medicina no país;
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Tegma. Da área de gestão logística, a empresa atua no segmento de transporte para a indústria farmacêutica. A companhia brasileira é considerada a “queridinha” entre os montadoras chineses presentes no Brasil;
Alper Seguros. Além de fornecer planos de saúde e odontológico para empresas, a seguradora tem um braço na área de tecnologia. Por meio da AlperTech, a empresa dispõe de “uma plataforma healthtech que permite o atendimento remoto, em grande escala, promovendo acesso à saúde e atendimento médico”.
O evento de lançamento da China Hub Brasil conta ainda com o apoio das seguintes empresas chinesas, que tem relação de invesmento com laboratórios e tecnologias de saúde.
Bank of China (BOC). O banco tem subsidiária no Brasil e fornece linha de créditos para laboratórios e gigantes chinesas da indústria farmacêutica.
Huawei. A gigante chinesa de tecnologia tem implementado parcerias para promover a transformação digital na saúde brasileira. Em dezembro, firmou parceria estratégica com a Associação Brasileira CIO Saúde (ABCIS).
Padilha chegou a consultar a Comissão de Ética Pública (CEP) para saber se poderia exercer o cargo de “presidente de honra” e recebeu aval positivo. A consulta, no entanto, foi enviada ao órgão colegiado no último dia 6 de fevereiro, quando ele ainda era ministro-chefe da SRI, e não avaliou a relação das empresas chinesas que participariam como financiadoras ou apoiadoras da associação de lobby. Na ocasião, já se ventilava que Padilha assumiria o cargo de chefe do Ministério da Saúde, órgão em que ele sempre acumulou bastante influência.
Além disso, Padilha alegou à CEP que não teve, enquanto ministro de Estado, “relação relevante” com a associação. Porém, além de ter recebido ao menos três vezes em seu gabinete o futuro presidente da entidade, o ministro se reuniu com representantes da Huawei e de outras empresas da China.
Procurada, a assessoria de imprensa de Padilha informou que ele não vai desempenhar papel de gestão, nem “auferir qualquer tipo de rendimento”.
À coluna o presidente da Comissão de Ética Pública, Manoel Caetano Ferreira Filho, afirmou que o órgão colegiado entendeu que o cargo de presidente de honra foi oferecido ao Padilha-pessoa, e não ao Padilha-ministro. Questionado sobre as empresas chinesas que patrocinam e apoiam o evento de lançamento da China Hub Brasil, Filho acrescentou que “isso é um fato estranho à decisão da CEP”, que “não foi submetido para a gente”. Por fim, ponderou que a CEP poderá reavaliar a decisão.
De acordo com minuta do estatuto social da entidade, o China Hub Brasil vai intermediar relações de pessoas e fomentar contatos entre empresas brasileiras e chinesas, prestar serviços de consultoria, promover investimentos recíprocos e firmar parcerias públicas e privadas, bem como participar de fundos de investimento, de ações e de sociedades de “quaisquer empresas”.
Ainda segundo o estatuto, a associação vai ser financiada a partir de serviços prestados para os associados; de ações e sociedades em empresas e arranjos negociais; de aplicações no mercado de capitais; e da venda de ativos.
O documento não deixa claro, contudo, quais funções serão desempenhadas pelo presidente de honra. A própria Comissão de Ética Pública, porém, entende que Padilha poderá atuar como representante institucional em cerimônias e eventos oficiais e integrar reuniões de caráter consultivo junto à diretoria executiva, “contribuindo com experiência e prestígio para a tomada de decisões estratégicas”.
A Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) proíbe o exercício de atividade, por autoridades do governo federal, que “implique a prestação de serviços ou a manutenção de relação de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão do agente público ou de colegiado do qual este participe”.
O convite do evento de lançamento do China Hub Brasil é descrito como uma noite que marca o “início de uma nova fase nas relações Brasil-China, conectando líderes, empresas e instituições para abrir caminhos em negócios, inovação e cooperação estratégica”.
O fundador do China Hub Brasil é o empresário Youyang Jiang, que também é secretário-geral da Associação Chinesa do Brasil (entidade filantrópica) e já foi recebido pelo menos três vezes no gabinete do então ministro-chefe das Relações Institucionais, além de ter participado da posse de Padilha no cargo, em janeiro de 2023.
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“Participei dessa grande posse do Alexandre Padilha pelo convite do próprio ministro”, escreveu Jiang, em uma rede social, ao postar fotos no Palácio do Planalto ao lado do petista.
Fonte: Metrópoles