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Manaus
16/04/2020

Com 1.350 casos de coronavírus em Manaus, 15 mil funcionários voltam ao trabalho em polo industrial

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Foto: Divulgação

Segundo Centro da Indústria do Estado do Amazonas, sete fábricas retomam as atividades nesta semana e medidas de proteção para operários estão sendo tomadas

Uma parte das empresas do Polo Industrial de Manaus dediciu retomar suas atividades nos últimos dias e uma parcela do trabalhadores da região foi convocada para retornar ao trabalho.


De acordo com números atualizados nesta quarta-feira (15), O Estado do Amazonas registrou 16 novas mortes em 24 horas e o número de óbitos pelo novo coronavírus chegou a 106. O número total de casos confirmados no Estado chegou a 1.554, sendo que 1.350 casos estão concentrados em Manaus - 86% do total.


"Sete fábricas voltam a funcionar nessa semana, como a Samsung, outras devem voltar na semana que vem. Estamos falando de um total de 50 mil funcionários em férias coletivas e agora, 15 mil deles voltam ao trabalho com medidas especiais de proteção. As fábricas estão aferindo a temperatura dos funcionários na entrada, os refeitórios estão funcionando em turnos para evitar aglomerações, além da utilização de máscaras e orientações sobre higienização", explica Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).

 

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Novas medidas de higienização foram adotadas

nas fábricas para proteger trabalhadores 


Outro ponto destacado pelo CIEAM para a segurança dos funcionários é o transporte até as plantas fabris. No Polo Industrial, as empresas serão obrigadas a fornecer uma rede fechada de ônibus para levar os funcionários até o trabalho. Segundo Périco, no fim de cada trajeto, uma equipe realizará uma higienização completa dos coletivos utilizados.


Criado na década de 50 para impulsionar o desenvolvimento econômico da Amazônia, o Polo engloba 430 empresas nacionais e multinacionais, que somam 93 mil empregos diretos.


Entre as fábricas que seguem coma linha de produção em funcionamento parcial está a Tutiplast, fabricante de peças plásticas para produtos como ar-condicionado e máquinas de cartão de crédito. Dos 1.200 funcionários fixos, cerca de 700 foram afastados para respeitar as orientações de segurança, reduzindo a produção em até 50%.


"Algumas empresas para quem fornecemos material não pararam, então adotamos também o esquema de férias parciais. Mesmo assim, desde o início da pandemia adotamos protocolos de segurança como as máscaras, a distância de dois metros entre as pessoas e o revezamento de turno para proteger nossos funcionários", afirmou Cláudio Antonio Barrella, proprietário e diretor da empresa.

 

O uso de máscaras se tornou obrigatório, além do distânciamento de dois metros Foto: Serhii Sobolevskyi / Getty Images/iStockphoto

O uso de máscaras se tornou obrigatório,

além do distânciamento de dois metros


Segundo Barrella, as indústrias que formam o polo estão atentas às mudanças no cenário da saúde. Um comitê de crise envolvendo associações, empresas e órgãos governamentais realiza reuniões semanais para discutir e estudar as medidas coletivas a serem aplicadas futuramente.


"A volta das atividades nesta semana não significa a permanência delas indefinidamente. Estamos atentos e dependendo das questões sobre a contaminação, ninguém vai correr riscos de colocar funcionários dentro de uma fábrica em caso de descontrole. Se os casos seguirem aumentando e o isolamento se intensificar, as empresas não vão insistir", disse.


Em nota enviada à revista Época, a Samsung afirmou que desde a última segunda-feira (13) as atividades nas fábricas foram retomadas em esquema de revezamento de equipes."Todas as medidas preventivas valem para todo o período de trabalho em todas as áreas da empresa. A Samsung permanece monitorando continuamente a situação da COVID-19 e continua comprometida com o bem-estar de todos", declarou.


Indústrias se unem no combate ao coronavirus

 

Máscaras distribuidas já são utilizadas no comércio 


Além das empresas que retomam aos poucos as atividades normais, algumas estão direcionando parte da linha de produção para a fabricação de insumos que vão ajudar no combate ao coronavírus. A Tutiplast e outras gigantes do mercado, como a automobilística Honda e a francesa BIC, líder mundial no segmento de papelaria, vão direcionar esforços para fabricar equipamentos de proteção individual (EPIs), uniformes e até respiradores para pacientes com coronavírus.

 

"Quando tudo começou pensamos o que a gente podia fazer para ajudar. O escudo facial era uma peça importante e já tínhamos as ferramentas necessárias para produzir. Fizemos um molde em dez dias e já entregamos nove mil peças para a Universidade do Estado do Amazonas distribuir. Temos condição de produzir entre 15 e 20 mil unidades por dia, para atender o mercado nacional", declarou o presidente da Tutiplast.


A BIC informou, em nota, que converteu a linha de produção da fábrica de acendedores, em Manaus, para fabricar EPIs para os profissionais de saúde e atender à escassez de itens essenciais no combate ao vírus. Na planta estão sendo produzidos protetores faciais descartáveis que serão doadas para a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas.

 

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"Na primeira semana de abril, foi entregue o primeiro lote de dez mil máscaras de proteção e esta produção continuará para atender à demanda de mais unidades, enquanto for necessário. Adicionalmente, a empresa fará a doação e entrega de aproximadamente 100 mil barbeadores para hospitais universitários e Organizações não Governamentais dos estados de Pernambuco e São Paulo", disse.

 


Fabricante firmou parceria com a Universidade do Estado

do Amazonas para desenvolver respiradores


Já a fábrica de motos da Honda, em parceria com a UEA, concluiu o desenvolvimento do primeiro protótipo de ventilador pulmonar mecânico, a partir de um acordo de cooperação entre as instituições. O protótipo possui as principais funções de um respirador hospitalar, como a dosagem da mistura de ar e oxigênio, ajuste de pressão e controle da frequência de respiração.

Segundo a empresa, a próxima etapa irá concluir o sistema eletrônico e de digitalização dos comandos, podendo ser realizados os primeiros testes por uma equipe médica e posterior homologação. Só depois disso será avaliada o início da produção dos equipamentos.

 

Equipe da Honda faz demonstração para o governador do Estado,

Wilson Lima, de testes em respirador (Fotos: Divulgação)


"Sabemos que a expectativa por uma solução rápida no combate ao novo coronavírus é muito grande e estamos avançando com responsabilidade. Ainda é cedo para falarmos em prazos e mesmo para confirmar a viabilidade da produção. Trata-se de um projeto complexo e a segurança das pessoas é a nossa prioridade", afirmou Julio Koga, Vice-presidente Industrial da Moto Honda da Amazônia.


Revista Época.

 

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