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Trudeau renuncia como primeiro-ministro do Canadá após pressão do próprio partido
Foto: Reprodução

Premier canadense continuará no cargo até que os liberais encontrem nova liderança; tensão aumentou desde dezembro, quando ministra das Finanças deixou o cargo

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou sua renúncia como líder do Partido Liberal nesta segunda-feira, o que também encerra seus nove anos como premier do país e desencadeará uma disputa para substituí-lo. Ele vinha enfrentando semanas de pressão com a proximidade das eleições gerais e seu partido atingindo os níveis mais baixos nas pesquisas — algo que só aumentou desde dezembro, quando a ministra das Finanças, Chrystia Freeland, pediu demissão citando desacordos políticos.

 

— Estou renunciando ao cargo de líder do partido e de primeiro-ministro — disse Trudeau a repórteres em Ottawa, acrescentando que ficará no cargo até seu partido escolher uma nova liderança. — Este país merece uma escolha real na próxima eleição. Ficou claro para mim que, se eu tiver que travar batalhas internas, não poderei ser a melhor escolha [como primeiro-ministro].

 

Inicialmente, Trudeau, de 53 anos, havia anunciado sua intenção de concorrer à reeleição nas eleições gerais de outubro. Mas ele está mais de 20 pontos atrás do rival conservador, Pierre Poilievre, nas pesquisas de intenção de voto. Sua popularidade despencou entre os eleitores, e o partido governista perdeu o apoio de siglas menores que lhe garantiam uma maioria simples na Casa.

 

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Em seu discurso, Trudeau disse que a renúncia deve ajudar a lidar com a polarização nacional, melhorar o funcionamento do Parlamento e colocar o país num caminho melhor para as eleições de outubro. Mais de 20 membros do Partido Liberal já haviam pedido publicamente a sua saída, e ainda mais disseram em reuniões privadas que o primeiro-ministro não tinha outra opção a não ser sair.

 

— Amigos, como todos vocês sabem, sou um lutador. Cada osso do meu corpo sempre me disse para lutar porque me preocupo profundamente com os canadenses — afirmou. — É hora de recomeçar. É hora de baixar a temperatura, para que as pessoas tenham um novo começo no Parlamento.

 

Trudeau também anunciou a suspensão do Parlamento até 24 de março para que seu sucessor seja eleito em uma disputa nacional. O Partido Liberal enfrentará um voto de confiança logo após o retorno do Parlamento, mas é provável que perca essa votação, já que comanda apenas 153 dos 338 assentos e perdeu o apoio de outros partidos menores que lhe garantiam uma maioria simples.

 

NOVAS LIDERANÇAS E DESAFIOS


Trudeau surpreendeu ao levar seu partido ao poder em 2015, vencendo uma campanha que começou com o partido em terceiro lugar. O jovem líder, então com 43 anos, prometeu um novo tipo de política centrada na imigração aberta, no aumento de impostos sobre os mais ricos e combate às mudanças climáticas. Mas seu primeiro mandato foi marcado por escândalos, e sua popularidade caiu nos últimos anos à medida em que aumentava a frustração com o custo de vida e seu estilo de governar.

 

Agora, a saída de Trudeau abre uma disputa interna no Partido Liberal. Freeland tem ligado para parlamentares liberais e é amplamente esperada para concorrer à liderança caso a oportunidade surja. Outros membros do Gabinete frequentemente mencionados em discussões sobre a liderança do partido incluem a ministra das Relações Exteriores, Melanie Joly; o ministro da Indústria, François-Philippe Champagne; e Anita Anand, a ministra responsável pelo transporte e comércio interno.

 

Mark Carney, ex-governador do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, também pode concorrer, caso o processo não favoreça os parlamentares atuais, disse uma fonte familiarizada com o assunto. Trudeau havia convidado Carney para ingressar no Gabinete como ministro das Finanças, um movimento que levou à renúncia de Freeland. Carney é presidente do Brookfield Asset Management e da Bloomberg Inc., entre outros cargos.

 

Todos eles, contudo, terão que avaliar se este é o momento certo para liderar os Liberais. Uma pesquisa da Nanos Research realizada no final de dezembro mostra o Partido Conservador ampliando sua vantagem à medida que o período eleitoral se aproxima.

 

Diante das incertezas, o que se sabe é que o próximo premier do Canadá terá que lidar com a ameaça de tarifas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que está prestes a assumir. O republicano prometeu impor uma tarifa de 25% sobre produtos canadenses se o país não garantir sua fronteira compartilhada contra o fluxo de migrantes irregulares e drogas ilegais — um “grave desafio” que foi mencionado na carta de renúncia da ministra das Finanças, que pediu demissão horas antes de apresentar seu orçamento anual.

 

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“O país pode enfrentar instabilidade, notadamente por uma ameaça econômica com a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre as importações canadenses pela administração que está por vir”, disse uma carta recente enviada a Trudeau por Kody Blois, que lidera um grupo de membros liberais das quatro províncias mais a leste do Canadá. “O tempo é essencial. Não é viável que você permaneça como líder”. 

 

Fonte: O Globo

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